quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Desídia ou incompetência?

  
O Rio de Janeiro possui um teatro tradicional de qualidade renomada e uma casa de espetáculos de características excepcionais (em localização, capacidade e tradição) que, embora pertençam a um dos maiores centros de produção de conhecimento do país, onde tive a honra de estudar, estão abandonados.

O Salão Leopoldo Miguez, localizado na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Rua do Passeio, possui uma das melhores acústicas do país. Inaugurado há quase 100 anos (o prédio é da segunda metade do século XIX, mas o teatro foi inaugurado em 1922), a sala de espetáculos sofre, juntamente com a construção como um todo, com infiltrações recorrentes e a queda de revestimentos de paredes e teto, fruto de uma conservação praticamente inexistente.

O Canecão, inaugurado na década de 1960 em local privilegiado de Botafogo, junto ao acesso a Copacabana, foi retomado pela UFRJ após quatro décadas de um penoso processo judicial, movido pela universidade contra os arrendatários do local. Fechado desde meados de 2010, segue sem uso, em franco processo de autodegradação, igualmente por falta de manutenção.

Para o Leopoldo Miguez, apenas a perspectiva de um orçamento a ser aprovado, visando a obras de recuperação. Para o Canecão, nenhum projeto à vista, apesar do tamanho esforço empreendido em ter o prédio de volta. Imaginava-se que a Federal tivesse noção do que pretendia com a casa, quando enfim a recuperasse... Mas ninguém pensou nisso!

Essas afrontas ao dinheiro do contribuinte seriam falta de vontade ou de capacidade de ação?


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Réveillon de Copacabana: festa de 2013 bate recorde de público e de beleza

  
Segundo alguns, o maior espetáculo da Terra, em cuja definição rivaliza apenas com outra grandiosa festa da cidade: o Carnaval. Como se ambas não tivessem o mesmo espírito de celebração, que norteia a vida de todo carioca.

Esta virada de ano na Avenida Atlântica fez, mais do que nunca, jus à pompa com que é tratada. A queima de fogos - com 16 minutos - foi a mais bonita já feita na praia e o público, o maior de todos os tempos, atingiu 2 milhões e 300 mil pessoas.

Contudo, palavras não bastam para descrever. As fotos e os filmetes feitos por nós a partir do Leme, esse simpático cantinho leste da enseada desenhada por Pereira Passos, dão a dimensão do que foi a festa. Dá para ver, também, o final da tarde de 31 de dezembro, com a praia se aprontando para a celebração; e a manhã ensolarada de 1º de janeiro, um dia bonito anunciando um ano não menos.

Algumas imagens tremidas, sem a desejada nitidez, se desculpam pela emoção do momento. (É prudente baixar o nível do som, que praticamente se resume ao espocar dos fogos, para assistir aos filmes sem sobressaltos.)

Feliz Ano Novo!
































quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Dia sem luz, festa do sol...!

  
A Natureza tem mesmo seus caprichos. Esta quarta-feira início de semana, passadas a Proclamação da República e o Dia da Consciência Negra, amanheceu com a Barra da Tijuca envolta em névoa espessa, capaz de uma obra de arte. Uma aquarela cinza-claro pintada no céu simplesmente apagou todo o relevo que contém a Pedra da Gávea, para espanto de quem descia as avenidas Armando Lombardi e Ministro Ivan Lins, em direção à Zona Sul.

Entretanto, bastava vencer o primeiro túnel - o do Joá - do Elevado das Bandeiras, para se descortinar um sol obstinado, teimando em furar o bloqueio da cerração. E, mais alguns minutos depois, dar com São Conrado vívida, com predomínio de azul entre poucas nuvens. Leblon, Ipanema e Copacabana, de onde escrevo, seguem o esquema, com dia claro.

Altos e baixos do tempo de primavera, a um mês exato de o Verão dar as caras.

   

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Muitos anos de estrada e de prelo


Parabéns ao Jornal do Commercio pelos seus 185 anos! A publicação há mais tempo publicada ininterruptamente em toda a América Latina. Nascida ainda no Rio de Janeiro dos tempos de capital do Império.

Um marco na imprensa brasileira.

   

domingo, 16 de setembro de 2012

Concorrência burra


Que tristeza! Os modais que compõem o transporte de massa da Cidade do Rio de Janeiro se enxergam como concorrentes, e não complementares, como deveria ser. Existisse uma autoridade pública presente, isso não aconteceria.

A expressão dessa disputa é o tom do anúncio da Supervia, operadora ferroviária de passageiros, exposto em mupis (mobiliários urbanos para informação, os painéis de publicidade que existem nas calçadas e pontos de parada) pela cidade, perguntando se você prefere estar sentado no ônibus ou no sofá de casa. A insinuação óbvia é a de que de trem, na comparação com o coletivo, a pessoa já poderia ter chegado de volta do trabalho - o que até tende a ser verdade, dada a velocidade operacional e a prioridade de deslocamento do trem.

À exceção do empresariado do modo rodoviário, ninguém discute a primazia do trem (o trem mesmo, como deveria e poderia ser) em termos de rapidez, conforto, confiabilidade, pontualidade e outros requisitos que, mais do que características, podemos tomar também como qualidades do modo ferroviário. Países inteligentes privilegiam a estrada de ferro como transporte de massa.

Um dia, fomos inteligentes assim e andávamos de trem. Mas a ânsia do progresso rápido, a qualquer custo, faz coisas inacreditáveis. Como destruir uma fabulosa malha dispersa, por exemplo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, condenando pouco a pouco uma multidão de trabalhadores a reféns de um sistema pessimamente estruturado, com linhas e linhas de ônibus e mais ônibus, concorrentes entre si. Tanto em termos de trajetos, desmesuradamente superpostos, quanto de (má) qualidade de serviço.

Tornar ao trem é imprescindível e inadiável. Seja no metrô ou nos trens de subúrbio, uma diferença, na verdade, quase somente retórica, relacionada a filigranas do modus operandi desses dois sistemas. Não é uma questão de escolha, nem um favor que se faz ao usuário. A mobilidade cada vez mais comprometida das grandes cidades exige mudar o paradigma. Obriga a dar a mão à palmatória e admitir o erro que foi abandonar as ferrovias e relegar o trem - condição que se firmou no Rio por décadas - ao estigma de ser o pior dos transportes: ruim, sujo e impontual, para sacrificar pouco. Aí, só mesmo o Poder Público para agir, saindo em socorro da população e restabelecendo ao menos um centésimo do bom senso.

Assim, que tal, em vez de brigar pelo ilustre passageiro, unir forças para oferecer a esse belo tipo faceiro um transporte integrado, decente, com a qualidade que ele merece - e pela qual paga?


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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Que essa onda pegue

  
Belo trabalho, o da estudante Tatiana Waintraub, mestranda de Computação Gráfica da PUC do Rio, com a orientação do professor Waldemar Celes, de criação de um programa de computador que reproduz o mosaico de ondas da calçada da Praia de Copacabana. Pessoas que se preocupam com o nosso patrimônio de características cariocas e demonstram, com isso, seu Amor pelo Rio de Janeiro.

Diferentemente da atual candidata à reeleição para a Câmara Municipal, vereadora Cristiane Brasil, que chegou a propor uma lei municipal (4.658/2007), vetada pelo então prefeito Cesar Mais, proibindo novas calçadas feitas com pedras portuguesas na cidade. Um modo pouco ou nada inteligente de tentar resolver o problema de calçamentos mal feitos que dão tombos em pedestres, em vez da opção simples por cuidar para que a calcetaria, que é uma arte, seja feita com esmero.

Vale aqui a sugestão de se baixar na internet e assistir 'Rio de Janeiro - City of Splendour', um notável documentário de 1936, com imagens coloridas da então capital federal. Em dado momento, decorridos 2min35s de exibição, o locutor diz textualmente, sobre imagens da Praça Floriano, na Cinelândia, em tradução livre: 'O aspecto mais singular das ruas limpas e largas é o mosaico decorativo (de pedras portuguesas) que adorna as calçadas. Praticamente todos os quarteirões têm pavimentos com padrões concebidos com tamanha exclusividade, que uma pessoa poderia identificar onde está apenas pelos desenhos no chão'. Por que, então, negar aos cariocas mais esta manifestação de carinho para com o seu chão?

Parabéns pela iniciativa! E que ela faça ressurgir, com força total, a ideia de se embelezar as nossas calçadas com bonitos motivos criativos, desenhados em calcário e basalto.


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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Haja buraco!


A cidade dos próximos Jogos Olímpicos já treina, em seu dia-a-dia, para 2016. Os 200 metros com obstáculos são disputados, em grande estilo, pelos ônibus que trafegam pela Rua da América, junto ao Terminal Coronel Américo Fontenelle - atrás do prédio da Central do Brasil. Nem o rali Paris - Dacar proporciona condições tão inóspitas aos motoristas aventureiros. São crateras que obrigam os veículos a parar, para que se possa escolher a trajetória menos perigosa e de menor impacto para a suspensão.




Cadê a tal Operação Asfalto Liso?


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